domingo, 25 de outubro de 2009

ALERTA AMBIENTAL

“Nem tudo o que vem à rede é peixe”

Greenpeace alertou ontem em Coimbra para destruição provocada pela pesca de arrasto em alto mar

A partir dos anos 90, com o crescente desaparecimento de reservas de algumas espécies de peixe comerciais, a indústria de pesca começou a lançar as redes bem mais fundo, procurando espécies que habitam entre os 200 e os dois mil metros de profundidade e invadindo o último refúgio de espécies ancestrais e delicadas como os corais. Com um crescimento lento (e uma longevidade que pode chegar aos cem anos), estas espécies atingem tardiamente a maturidade reprodutiva, pelo que a sua captura já põe muitas delas em risco de extinção. Este e outros alertas fazem parte da campanha “Oceanos em Perigo” que a Greenpeace está a levar a cabo em diversos locais do país e que ontem passou por Coimbra.
O alvo é, desta vez, a pesca de profundidade em alto mar, uma das mais destrutivas e a que representa uma maior ameaça à biodiversidade. Uma só passagem de uma rede de arrasto pode deixar um monte marinho destituído de vida. Aproximadamente 80 por cento da vida marinha apanhada nestas redes é novamente atirada ao mar - «nem tudo o que vem à rede é peixe», lembra a Greenpeace – já morta ou moribunda.
Lanka Horstink, coordenadora da campanha em Portugal, disse ao Diário de Coimbra que, de acordo com uma resolução tomada em 2006, vários países deviam ter já tomado medidas para proteger os ecossistemas marinhos vulneráveis em águas internacionais. Mas tal não aconteceu e Portugal foi um dos países que nada fez. «Os governos e a indústria continuam sem actuar e o fundo do mar continua a ser devastado», constata a organização.

Portugal devia liderar


A poucas semanas de nova reunião da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a Greenpeace aproveita para relembrar os governos e a indústria desta realidade. «Portugal devia defender o seguimento firme da resolução, para que se parasse com a pesca de arrasto em alto mar, em especial naquelas de risco identificado. Sendo um país de grande tradição piscatória - e com artes de pesca tradicionais e pouco invasivas -, com a maior zona económica exclusiva da Europa, Portugal devia liderar com medidas de protecção do ecossistema de mar, promovendo uma pesca sustentável», explicou ao Diário de Coimbra Lanka Horstink, lembrando que podíamos ser «um país livre de pesca de arrasto em alto mar», com claros benefícios de sustentabilidade económica e ambiental.
Portugal é o oitavo país do mundo mais activo na pesca de profundidade em alto mar. «A reconversão garantiria peixe não só para esta década mas para as próximas e a protecção das espécies», acrescentou a responsável da Greenpeace.



É preciso mais informação nas bancas de peixe


O tamboril, o albote da Gronelândia, os peixes vermelhos, o peixe espada preto, a merluza/marlonga negra, os tubarões são algumas das espécies de peixe de profundidade mais ameaçadas. E, ainda assim, podem ser encontradas nas prateleiras dos supermercados. Nas bancas de peixes de grandes superfícies portuguesas, a Greenpeace já descobriu peixes vermelhos e peixe-espada preto, raia, tamboril a até tubarão (designado por cação ou tintureira) pescados por arrastão em alto mar. Lanka Horstink considera que os retalhistas deviam retirar imediatamente estes peixes das prateleiras e que, por outro lado, o Governo devia tomar medidas para que a informação nas etiquetas fosse completa. «É preciso que as pessoas saibam que peixe estão a comprar, onde e como foi capturado», frisou.

In Diário de Coimbra 20091025

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL

INDICADOR SINTÉTICO DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL OU DE BEM-ESTAR DOS MUNICÍPIOS DO CONTINENTE PORTUGUÊS

Anda a percorrer o mundo virtual, um estudo bastante interessante sobre a qualidade de vida dos municiíos portugueses, com o título que se indica em cima.

Avalia a qualidade de vida nos municípios através de vários indicadores: condições materiais, sociais e económicas.
A metodologia é explicada no estudo disponível.

Este documento foi divulgado pelo


Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior

Se desejar saber como está o seu município no que diz respeito à sua “qualidade” deve consultar este estudo, podendo usar este link

http://www.dge.ubi.pt/pmanso/Estudo%20sobre%20qualidade%20de%20vida%20dos%20concelhos%20portugueses%202009.pdf


Neste documento verifica-se que o concelho de Mira, por exemplo, baixou 18 lugares de 2004 para 2006, estando neste momento no lugar 158 do ranking, depois de estar, em 2004, no 140.
Porquê? Consultem o estudo e digam a vossa opinião.
Debatemos......
André Gomes

domingo, 18 de outubro de 2009

Tráfico humano requer combate especializado

Relatório do Plano contra o tráfico de pessoas recomenda criação de equipas policiais específicas

CLARA VASCONCELOS

A criação de equipas de investigação especializadas em crimes de tráfico de pessoas é uma das principais recomendações do primeiro relatório do Plano Nacional de Luta Contra o Tráfico de Seres Humanos, que hoje, domingo, será apresentado no Porto.

No dia em que se assinala o Dia Europeu contra o Tráfico de Seres Humanos, os responsáveis pelo I Plano de Luta Contra o Tráfico de Seres Humanos e do Observatório entretanto criado para monitorização do fenómeno apresentam um primeiro balanço de actividades e estatísticas actualizadas.

O primeiro relatório de actividades, a que o JN teve acesso, termina com seis recomendações, a primeira das quais relativa à necessidade de criação de investigadores especializados e a trabalhar em exclusivo no tráfico de pessoas, quer na Polícia Judiciária, quer no serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Equipas que poderão ser conjuntas às duas polícias e a quem seria dada formação profissional específica.

Do mesmo modo, e "tendo em conta a importância da troca de informação rápida e fiável", recomenda-se a designação, por parte das polícias, de um contacto único para esse efeito.

O primeiro relatório do Plano - que entrou em vigor em 2007 e termina no próximo ano -, defende ainda a criação de uma estrutura a nível nacional, com representantes de todos os órgãos de polícia criminal, "especialmente dedicada a melhorar a coordenação nacional da investigação" nesta área.

A necessidade de reintegração das vítimas de tráfico, aconselha também, segundo o mesmo relatório, a formalização de um protocolo com o Instituto do Emprego e Formação profissional, "no sentido de haver vagas específicas para estas em cursos de formação".

A realidade nacional relativamente ao tráfico de pessoas, começa agora a ser mais conhecida, segundo disse ao JN o director do Plano, Manuel Albano, devido às alterações introduzidos pela reforma penal de 2007 e pelos procedimentos entretanto adoptados, como o modelo de sinalização das vítimas.

"Qualquer pessoa pode fazê-lo", disse, explicando que há um formulário próprio para o efeito. As polícias e as Organizações não Governamentais também têm a obrigação de sinalizar, sempre que se deparem com potenciais vítimas de tráfico.

"A detecção dos casos tem permitido um conhecimento da realidade muito diferente da que tínhamos há anos atrás", diz, lembrando que este é "um crime oculto" , até agora olhado mais na perspectiva "da imigração ilegal".

Hoje em dia, as polícias, quando fazem rusgas, preocupam-se também em saber se para além de ilegais, as pessoas não estarão ali sob coacção. Quando suspeitem de que essa situação existe pedem apoio ao Centro de Acolhimento e Protecção, criado no âmbito do Plano, e que funciona 24 horas por dia.

Jornal de Notícias 18 out 2009